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Como prevenir pulgas e carrapatos no meu pet?

As pulgas e carrapatos são parasitas externos, que podem acometer cães, gatos e diversos outros animais. Muito incômodos, eles são sinônimo de preocupação sempre que os tutores os encontram nos seus pets e, realmente, merecem atenção. 

No Brasil existem aproximadamente 67 espécies de carrapatos, que se encontram amplamente distribuídas pela natureza. Todas elas se alimentam de sangue e os cães são hospedeiros de algumas, inclusive as que atuam como vetores da Febre Maculosa Brasileira. Contudo, os cachorros que possuem contato com área de mata podem ser parasitados por uma grande variedade de espécies de carrapatos (ANDREOTTI; GARCIA; KOLLER, 2019). 

Já as pulgas são insetos que parasitam cães, gatos e os seres humanos, porém com menor incidência. Elas possuem a habilidade de saltar e, assim que picam um animal, começam a se alimentar de sangue. Cerca de 24 a 48 horas depois da alimentação passam a liberar ovos no corpo do animal. O maior problema é que uma pulga adulta consegue colocar até 50 ovos por dia (ZOETIS, 2019). 

Segundo a médica-veterinária pós-graduada em felinos e homeopata no Hospital Veterinário Taquaral, Gabriela T. Pires Chrispim, a principal forma de transmissão de pulgas e carrapatos nos pets é através do contato direto entre animais ou pelo ambiente. Na maior parte das vezes, os cães e gatos são infestados durante passeios, mas isso não quer dizer que os que ficam apenas em casa não irão se contaminar. 

As pulgas preferem locais quentes, úmidos e com baixa luminosidade. Por outro lado, os carrapatos normalmente são encontrados em áreas com grama alta, frestas de cimento e escalando muros. “Os ectoparasitas ficam escondidos no ambiente até encontrar um animal desprotegido para picar a sua pele”, explica Gabriela. 

Perigos da infestação por pulgas e carrapatos 

Não é difícil de perceber que um animal está com pulga ou carrapato. “Normalmente, é possível visualizar os parasitas nos pets a olho nu. Também pode ocorrer coceira intensa e vermelhidão na pele do cão ou gato. Outro sinal comum é encontrar “pontinhos pretos” entre os pelos, que são caracterizados como as fezes das pulgas”, comenta a profissional. 

Além de tudo isso, os ectoparasitas causam doenças que, se não tratadas, podem levar os animais a óbito. “As principais enfermidades transmissíveis pelos carrapatos são erliquiose, babesiose e anaplasmose, conhecidas popularmente como doenças do carrapato nos cães. Já as pulgas podem transmitir para os gatos a micoplasmose e para os cachorros o Dyplidium caninum, conhecido como o verme da pulga”, esclarece Chrispim. 

De acordo com a doutora, quando um cão está com doença do carrapato ele pode apresentar diferentes sintomas, como febre, anemia, perda de peso, presença de pontos avermelhados na pele chamados de petéquias, sangramento nasal e apatia. “Em casos mais graves é necessário realizar transfusão sanguínea para tentar reverter o quadro”, comenta. 

Ainda falando sobre cães, o Dyplidium caninum é um tipo de verminose contraído quando os cachorros estão se limpando e ingerem as pulgas. “Nesse caso os principais sinais são perda de peso, vômito, diarreia”, cita Gabriela.

Para os gatos o maior perigo é a micoplasmose. “A doença é transmitida a partir da picada de pulgas infectadas com a bactéria Mycoplasma haemofelis. Seus sintomas são febre, apatia, fraqueza, perda de peso e anemia. Nos casos mais graves o animal também pode precisar de transfusão sanguínea”, relata a médica-veterinária. 

Como prevenir pulgas e carrapatos? 

Existem diferentes maneira de evitar que os cães e gatos possam se contaminar com pulgas e carrapatos. “A prevenção contra os ectoparasitas pode ser feita de algumas formas. A principal é com o uso de medicamentos contra esses parasitas. No mercado veterinário encontram-se medicações na apresentação de pipetas, que são aplicadas no dorso do animal, coleiras e comprimidos. Medicamentos homeopáticos também podem ser usados”, explica a doutora.

O tempo de ação de cada produto varia e dependa da marca e da apresentação. “Existem opções em que o reforço deve ser feito mensalmente e outras com intervalos a cada 12 semanas. Por isso, o ideal é sempre consultar a bula do medicamento para saber o seu tempo de ação”, comenta a médica-veterinária. 

O controle ambiental também faz toda a diferença na prevenção. “É importante sempre lavar os cobertores e camas dos animais, deixando secar bem no sol. Também deve-se aspirar cantos de portas, janelas e o piso, principalmente se a casa tiver piso de taco, pois esses ectoparasitas adoram ficar nas frestas”, exemplifica. 

Com relação aos quintais, Chrispim recomenda cortar bem as gramas e manter o espaço onde os pets ficam limpo. Para isso deve-se, de preferência, utilizar produtos específicos para limpeza de ambientes em que vivem animais. 

REFERÊNCIAS 

ANDREOTTI, Renato; GARCIA, Marcos Valério; KOLLER, Wilson Werner. Carrapatos Protocolos e Técnicas para Estudo. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Brasília, 2019.  

ZOETIS, Indústria de Produtos Veterinários LTDA. Pulgas Informações Importantes. Setembro de 2019. Disponível em: https://www2.zoetis.com.br/content/pt/pages/Especies/Caes-e-Gatos/Caes/Parasitas/_assets/ciclo-das-pulgas-_final_-(1).pdf. Acesso em: 17 mar. 2025.