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Orientações corretas podem evitar o desenvolvimento de doenças ósseas em iguanas

Osteoporose, osteomalácia, osteodistrofia fibrosa e o raquitismo precisam de atenção nos cuidados dos pets exóticos

As iguanas são animais exóticos que, por sua natureza e fisiologia, exigem cuidados específicos para manter sua saúde e bem-estar. No entanto, muitos tutores ainda desconhecem os riscos das doenças osteometabólicas, um grupo de condições que afeta diretamente a estrutura óssea desses répteis. A médica-veterinária Danielle de Souza Batista, especializada em clínica médica e cirúrgica de pets exóticos e silvestres, destaca seus conhecimentos sobre essa questão, ressaltando os principais cuidados para prevenir e tratar essas doenças em iguanas.

Segundo ela, as iguanas podem ser afetadas por um conjunto de doenças osteometabólicas, que são condições que comprometem a saúde óssea do animal, resultando em alterações na densidade e estrutura dos ossos. “As doenças osteometabólicas afetam o metabolismo ósseo, resultando em alterações na estrutura e densidade dos ossos. Dentre as principais doenças dessa categoria, estão a osteoporose, osteomalácia, osteodistrofia fibrosa e o raquitismo, todas relacionadas à deficiência de cálcio e à má metabolização de vitamina D”, explica.

Essa situação é particularmente comum em iguanas mantidas em cativeiro, onde erros no manejo alimentar e ambiental contribuem para o desenvolvimento dessas doenças. As iguanas, como animais ectotérmicos, dependem de fontes externas de calor para regular sua temperatura corporal. A falta de exposição aos raios ultravioletas (UVB e UVA), necessários para a metabolização de vitamina D, é um fator determinante para a origem dessas doenças.

Os sinais clínicos variam de acordo com a gravidade da deficiência, podendo incluir anorexia (falta de apetite), dificuldade para se alimentar (disfagia), fraqueza, apatia, tremores e dificuldades locomotoras. Em casos mais avançados, a iguana pode apresentar deformações ósseas, fraturas espontâneas e até paraplegia. “Quando o animal apresenta os sinais da doença osteometabólica, nota-se uma grande dificuldade locomotora, tornando-se mais lento e desajeitado”, descreve Danielle.

O diagnóstico das doenças osteometabólicas é feito por meio de uma consulta clínica, com a confirmação de sinais clínicos. No entanto, é necessário a realização de exames complementares, como radiografias e análises laboratoriais, para confirmar a doença e excluir outras condições com sintomas semelhantes.

Tratamento e cuidados

O tratamento das doenças ósseas em iguanas depende da fase em que a doença se encontra e da confirmação do diagnóstico. “O tratamento pode ser subdividido conforme a confirmação dos sintomas e exames de imagem e laboratoriais”, explica Danielle. O principal tratamento envolve a reposição de cálcio e vitamina D, adequação da alimentação e do ambiente, com a garantia de que o animal tenha acesso a luz solar adequada, que é fundamental para a produção de vitamina D.

Além disso, a mudança no ambiente onde o animal vive é crucial. “É necessário que o local seja construído da melhor forma para o animal, com um abrigo para chuvas, área seca para exposição ao sol e ambiente limpo e arejado”, orienta a veterinária. Em casos graves, é preciso utilizar medicamentos, como o gluconato de cálcio, para tratar a hipocalcemia (baixa concentração de cálcio no sangue).

Os tutores devem estar atentos às mudanças comportamentais de suas iguanas, especialmente se o animal for notoriamente mais lento e desajeitado. Iguanas saudáveis são animais muito ativos e ágeis, enquanto as doentes apresentam uma dificuldade locomotora acentuada e, muitas vezes, uma falta de interesse por alimentos. “Em casos mais graves, as iguanas podem até perder a capacidade de subir em galhos ou troncos, seu comportamento natural”, relata Danielle.

Os principais desafios enfrentados pelos veterinários especializados em animais exóticos são a falta de informação e o medo de denúncia por parte de tutores de animais adquiridos de maneira ilegal. Isso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento, tornando as condições mais graves. “Infelizmente, muitos responsáveis por iguanas não procuram ajuda médica até que a doença esteja em um estágio avançado, o que compromete ainda mais a saúde do animal”, alerta a veterinária.

Além disso, a especialização em Medicina Veterinária para animais silvestres e exóticos ainda não é totalmente valorizada, o que leva a falhas no manejo e tratamento adequado das iguanas. “Muitos animais sofrem devido à falta de informação sobre seus cuidados, e a doença osteometabólica é uma das mais conhecidas, mas também uma das menos diagnosticadas”, destaca Danielle.

Para prevenir as doenças, Danielle recomenda um manejo adequado da alimentação e do ambiente das iguanas. “A suplementação de cálcio e a alimentação balanceada, rica em verduras, legumes e frutas, são fundamentais”, afirma. Ela também ressalta que a iluminação UVB é crucial para a produção de vitamina D, essencial para a absorção de cálcio.

Ainda assim, é importante que os tutores realizem exames periódicos e consultas com veterinários especializados, pois somente um profissional capacitado pode indicar o tratamento adequado e garantir a saúde do animal. “A orientação médica-veterinária especializada antes mesmo da compra desses animais precisa se tornar uma realidade”, afirma Danielle.

Matéria – Revista Cães&Gatos, Por Matheus Oliveira